1.1.10

Por que é que o artigo seria verdadeiro?

Ora, o que o artigo relata é verdadeiro porque foi confirmado por outros indivíduos.
Primeiro o publicitário Paulo de Tarso Santos (que, aliás, tem contratos milionários de publicidade com o governo) confirmou o almoço descrito, embora "não confirme" que César Benjamin estava lá. Subsequentemente, o renomado cineasta Silvio Tendler confirmou o almoço, confirmou a presença de César Benjamin e confirmou que Lula relatou a tentativa de estupro. Entretanto, disse que era uma piada...
O que ele disse foi que se tratou de “uma brincadeira como outras 300″ que Lula fazia regularmente. “Não tinha nada do tom dramático que ele [César Benjamin] quer dar. O cara deve estar muito ressentido para sacar isso com 30 anos de atraso.” Tendler disse que todos estavam rindo e que a piada tinha como objetivo "sacanear" um americano que estava presente no almoço.

Então os fatos estão definidos. Esclareça-se que o artigo afirmava que Lula disse ter tentado o estupro; não acusava o presidente do ato. E a fala de Lula foi confirmada por outras fontes, sendo, portanto, um fato tido como verdadeiro pelas noções estabelecidas. Agora que se definiu que Lula realmente disse o que se afirmava, resta discutir se era um relato de um evento que realmente ocorreu.

Nesse ponto há muito menos espaço para dúvidas. Não há circunstância em que um estupro como contou Lula seja engraçado; é fortemente inverossímil que o tal cineasta tenha guardado na memória por anos e anos uma piada "como outras trezentas" que Lula contou; e é bom relevar outro trecho do artigo de Benjamin:

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Como se pode ver nos trechos citados anteriormente e nesse outro, Lula estava se dirigindo a César Benjamin, e o americano estava fora da conversa (segundo Benjamin, nem a compreendia). E é claro que a história dessa suposta piada não se encaixa com a mínima plausibilidade na situação que estamos discutindo, o que qualquer pessoa com a mínima inteligência percebe. A explicação de Silvio Tendler não cola; Lula não estava contando uma piada.

César Benjamin, que foi cofundador do PT, se desvinculou do partido pouco depois desse evento, que foi sem dúvida um fator. Benjamin provavelmente tinha princípios que não o permitiam trabalhar com um partido liderado por um bando de ladrões e chefiado por um psicopata.

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